Uma postagem recente de uma mãe de família sobre um empréstimo com garantia do FGTS gerou grande repercussão nas redes sociais, acendendo um alerta sobre os custos reais dessa linha de crédito, promovida pelo governo federal como acessível. A publicação viralizou após a influenciadora Nath Finanças destacar o valor total pago no empréstimo de R$ 10 mil, que, com juros, chegaria a quase R$ 16,9 mil.
O “empréstimo do Lula”
O empréstimo, contratado na Caixa Econômica Federal, oferecia 48 parcelas de R$ 352,07, mas, ao final do pagamento, o valor total devido seria de R$ 16.900, considerando um custo de juros de mais de R$ 6 mil. Nath Finanças criticou a linha de crédito, apontando que o trabalhador poderia sacar 10% do seu FGTS sem precisar pagar esse montante de juros, caso o governo permitisse.
A discussão se intensificou quando a ministra Gleisi Hoffmann se referiu à linha de crédito como “empréstimo do Lula” e sugeriu que há opções melhores no mercado. O crédito pode ser contratado pelo app da Carteira de Trabalho Digital, com propostas liberadas em até um dia, e o valor das parcelas é debitado diretamente da folha de pagamento, o que reduz o risco para os bancos e permite juros mais baixos para o trabalhador.
Taxas de juros: comparação com outras opções no mercado
Apesar de o governo divulgar a linha de crédito como uma alternativa de juros baixos, o Custo Efetivo Total (CET) do empréstimo de R$ 10 mil, com 48 meses de prazo, foi de 64,63%, o que corresponde a 2,17% ao mês. A comparação com as taxas de empréstimos pessoais tradicionais revelou que existem opções mais baratas no mercado.
Através do site do Banco Central, é possível verificar que a Caixa Econômica Federal cobra 2,17% ao mês no crédito com garantia do FGTS, enquanto para um empréstimo pessoal tradicional a taxa seria de 5,65% ao mês, com um CET de 200,43% no prazo de 48 meses. Isso significa que o custo final do empréstimo seria de R$ 20.043,22, ou seja, R$ 3.143 a mais do que o crédito com garantia do FGTS.
Porém, ao consultar a lista de taxas oferecidas por outras instituições financeiras, é possível encontrar bancos e fintechs cobrando taxas mais baixas. Instituições como Itaú Unibanco, com 1,80% ao mês, e Banco Inter, com 1,77%, oferecem empréstimos pessoais mais baratos que o crédito com garantia do FGTS.
Empréstimo consignado e condições favoráveis
Outro ponto importante é que, na modalidade de empréstimo consignado, até a Caixa Econômica Federal oferece condições mais favoráveis. Para servidores públicos, a taxa de juros é 1,71% ao mês, enquanto para aposentados e pensionistas, o valor chega a 1,80% ao mês, sendo bem mais vantajoso do que as condições do crédito com garantia do FGTS.
A falta de transparência nas propostas
Uma das críticas que surgiu nas redes sociais foi sobre a falta de transparência na apresentação dos juros e custos envolvidos no empréstimo. A especialista Cíntia Senna observou que a Caixa Econômica não deixa claro o Custo Efetivo Total do crédito, o que pode confundir o consumidor. Embora a proposta informe a taxa de juros de 2,02% ao mês e o CET de 2,17% ao mês, a inclusão de outras cobranças, como o seguro prestamista, não é mencionada de forma clara.
A Caixa, por sua vez, respondeu que a proposta de crédito através da Carteira de Trabalho Digital agora exibe o valor total a ser pago, ou seja, o valor da parcela multiplicado pelo número de meses do contrato. Além disso, a instituição esclareceu que não há cobrança de tarifas e que os produtos adicionais, como o seguro prestamista, são opcionais.
O que precisa ser revisto
A especialista Cíntia Senna ainda destacou que, embora o crédito com garantia do FGTS seja promovido como uma opção de juros baixos, pesquisar outras opções de crédito no mercado pode resultar em condições mais vantajosas. Além disso, ela chamou a atenção para a forma como os custos são apresentados, uma vez que a falta de clareza pode resultar em venda casada, uma prática ilegal.
A Caixa Econômica Federal também afirmou que os interessados em contratar o Crédito do Trabalhador devem realizar comparações de taxas entre os produtos oferecidos pela própria instituição e por outras instituições financeiras. A comparação pode ser feita diretamente no aplicativo da CTPS Digital.
Conclusão
O Crédito do Trabalhador com garantia do FGTS pode ser uma alternativa interessante para quem precisa de recursos, mas é fundamental que os consumidores estejam atentos aos juros e ao Custo Efetivo Total (CET), além de compararem as condições oferecidas por outros bancos e instituições financeiras. A pesquisa e a comparação são essenciais para encontrar a melhor opção de crédito, evitando surpresas desagradáveis.