Você viu aquela mensagem dizendo que a Receita Federal vai cobrar vinte e seis vírgula cinco por cento dos motoristas de aplicativo? Neste texto você vai entender por que isso é um boato. A alíquota citada refere‑se a um imposto de consumo ligado ao IBS/CBS, não a um desconto direto sobre a sua renda.
O projeto que trata dos trabalhadores por plataforma fala de contribuição previdenciária e de formalização com percentuais bem menores. A maioria dos motoristas segue como MEI ou está na faixa de isenção do imposto de renda; o impacto real nas corridas depende de como o tributo de consumo for repassado na cadeia de preços.
De onde saiu o número 26,5%?
O número aparece em estudos sobre a reforma tributária — uma estimativa média da alíquota do novo imposto sobre bens e serviços (IBS/CBS). Essa alíquota incide sobre consumo e valor agregado, não é um imposto retido diretamente do seu recibo como se fosse Imposto de Renda. Em outras palavras: é como confundir o preço da gasolina com o que o posto desconta do seu salário.
Se quiser ter uma ideia prática de quanto um motorista pode ganhar por turno, veja uma estimativa de ganhos em jornadas curtas como a de quatro horas: quanto ganha motorista de aplicativo trabalhando quatro horas por dia — isso ajuda a contextualizar percentuais sobre faturamento.
O que a Reforma Tributária propõe
A proposta visa substituir tributos atuais (PIS, Cofins, ICMS, ISS etc.) por um imposto sobre bens e serviços. A carga final pode mudar, mas o tal 26,5% é uma estimativa agregada para a economia — não significa automaticamente 26,5% a menos no seu pagamento semanal.
Projeto que regula os motoristas por plataforma
Há um projeto em discussão (PLP 12/2024) que cria regras para o chamado trabalhador por plataforma, com foco em:
- Transparência nas taxas cobradas pelas plataformas;
- Contribuição previdenciária para garantir aposentadoria e auxílio‑doença;
- Regras sobre ganho mínimo e cálculo de remuneração.
Esse texto trata de contribuições sociais e formalização, não de uma nova “taxação de consumo” sobre a renda pessoal do motorista.
Quanto você pode pagar de contribuição?
O projeto menciona alíquotas reduzidas para garantir proteção social. A ideia é cobrar algo menor — por exemplo, 7,5% — em vez dos 20% que um autônomo comum pagaria. Ou seja: a proposta mira proteção, não esmagar seus ganhos.
Para entender melhor os direitos previdenciários e evitar confusões, considere leituras que desmistificam descontos e benefícios, como os mitos do INSS e seus verdadeiros direitos.
Diferença importante: Imposto x Contribuição
- O que é imposto? É uma cobrança sem vínculo com um benefício direto.
- O que é contribuição previdenciária? É um desconto que dá direito a benefícios (aposentadoria, auxílio‑doença).
- A reforma mexe em impostos de consumo; as contribuições previdenciárias seguem regras próprias e o PLP 12/2024 define como ficará a previdência dos motoristas de plataforma.
Como isso afeta você como motorista
Se você é MEI ou está na faixa de isenção do Imposto de Renda, nada muda automaticamente. A maior parte dos motoristas hoje é MEI ou isenta. Nenhuma proposta atual cria uma cobrança fixa de 26,5% sobre o trabalho desses profissionais.
Se você depende do carro para trabalhar, pode interessar saber sobre opções de financiamento e de acesso a veículos com prazos e taxas melhores: como financiar carro pela Caixa com prazos longos e também sobre regras para quem tem CNH provisória: trabalhar no iFood com CNH provisória ou alugar carro com CNH provisória.
Erros comuns nas mensagens que viralizam
- Confundir alíquota de consumo com taxa sobre a renda;
- Misturar faturamento bruto com lucro líquido;
- Usar números redondos ou fora de contexto para alarmar: 26,5% para todos.
Antes de compartilhar, pergunte: esse número se refere ao faturamento, ao preço final ao consumidor ou ao desconto no salário?
Para ver exemplos de como golpes e boatos são disseminados e como se proteger, leia matérias sobre fraudes e notícias enganosas, como desinformações sobre supostos pagamentos do governo.
Como se proteger da desinformação
- Verifique a fonte: leia o texto do PLP 12/2024 e comunicados da Receita Federal;
- Consulte o site do Ministério do Trabalho;
- Procure checagens em organizações confiáveis;
- Pergunte ao seu contador;
- Guarde documentos e extratos para comprovar seus ganhos.
Dicas práticas para seu bolso
- Se a sua renda permitir, avalie registrar‑se como MEI;
- Anote todas as despesas com o veículo (combustível, manutenção, seguro); elas reduzem a base tributável quando for o caso;
- Troque experiência com outros motoristas;
- Acompanhe o andamento do PLP 12/2024 para saber a base de cálculo das contribuições e regras sobre ganho mínimo.
Também vale ficar atento a benefícios locais sobre tributos do veículo, como eventuais isenções de IPVA para carros antigos, que podem reduzir custos fixos: isenção de IPVA para veículos com 20 anos ou mais.
O que acompanhar agora
- O texto do PLP 12/2024 no site da Câmara dos Deputados;
- Comunicados da Receita Federal sobre a reforma;
- Publicações do Ministério do Trabalho sobre plataformas.
Se surgir necessidade de crédito ou renegociação de dívidas enquanto acompanha as mudanças, informe‑se sobre linhas disponíveis para negativados e opções de financiamento: linhas de crédito para negativados e empréstimos com consignado e FGTS.
Perguntas que você pode ouvir na rua
- “Vou perder 26,5% do que ganho?”
Resposta curta: não. Esse número é sobre imposto de consumo, não desconto direto na sua renda. - “E se a reforma aumentar tudo?”
Qualquer aumento direto sobre sua renda precisa passar por lei e ser explicada; acompanhe o PLP e comunicados oficiais. - “Devo me preocupar hoje?”
Fique atento, sim, mas não entre em pânico. Informe‑se e guarde seus documentos.
Pequena história para lembrar
Lembra do vizinho que espalhou um boato sobre uma multa que ia triplicar? Ele se alarmou mais pelas mensagens do grupo do que pelas informações oficiais — a multa era para outro caso. A mesma dinâmica ocorre com o 26,5%: o medo cresce rápido, a explicação correta demora mais a circular.
Onde buscar informação confiável
- Site da Receita Federal;
- Portal da Câmara dos Deputados (texto do PLP 12/2024);
- Ministério do Trabalho;
- Sites de checagem reconhecidos.
Conclusão
Você não vai perder 26,5% do que ganha como motorista. Esse número é uma estimativa de alíquota de imposto sobre consumo para a economia — não um desconto direto no seu pagamento. O que está em discussão para você são regras de formalização e uma contribuição previdenciária bem menor (a proposta fala em algo como 7,5%) e medidas de transparência. A maioria dos motoristas é MEI ou está na faixa de isenção, então não há uma guilhotina de 26,5% vindo ao seu encontro.
Quando ouvir o alarme, não compartilhe sem checar: leia o PLP 12/2024, acompanhe a Receita Federal e outros canais oficiais, pergunte ao seu contador e guarde seus documentos. Informando‑se você navega com mapa, não por boato.
Perguntas frequentes
O governo vai descontar 26,5% do meu rendimento como motorista?
Não. Essa porcentagem refere‑se a uma estimativa de alíquota do novo imposto sobre bens e serviços (IBS/CBS), não a um desconto direto na renda dos motoristas.
O que exatamente é essa tal de 26,5% que circula nas redes?
É uma estimativa média da alíquota do imposto sobre consumo para a economia em geral, usada em estudos da reforma tributária.
A reforma vai tirar meus direitos ou reduzir meu pagamento por corrida?
O PLP 12/2024 busca formalizar proteção social, com contribuições previdenciárias reduzidas (por exemplo, 7,5% na proposta). O efeito sobre o preço das corridas depende de como o tributo incidir na cadeia.
Motoristas MEI ou isentos do IR serão taxados em 26,5%?
Não. A maioria dos motoristas é MEI ou está na faixa de isenção. Nenhuma proposta atual impõe 26,5% fixos sobre esses trabalhadores.
Como eu confiro se o boato é falso?
Verifique o texto do PLP 12/2024, comunicados do Ministério do Trabalho e da Receita Federal, e consulte sites de checagem e seu contador antes de compartilhar. Para exemplos de desinformação, veja também https://pronatec.pro.br/receita-federal-vai-taxar-motoristas-de-aplicativo-em-265-checamos-a-informacao/.
